top of page

O feminino que transforma


Na corte austro-húngara do século XIX, os casamentos não eram guiados pelo amor, mas pela política. No entanto, quando o imperador Francisco José conheceu a jovem Elisabeth da Baviera, a Sissi, algo rompeu com essa lógica: ele se apaixonou. A decisão de ouvir sua voz interior e escolhê-la contra a vontade da mãe representou um primeiro ato de individuação, uma ruptura com o complexo materno que o aprisionava. A desobediência em prol do certo.



Francisco era um homem marcado pelo complexo materno. Muitos diziam que quem governava de fato era sua mãe, a rainha, que conduzia o reino através dele. Nesta época povo passava por privações, e a rainha acreditava que um casamento arranjado serviria como distração coletiva. Mas, ao decidir por Elisabeth, Francisco rompeu pela primeira vez com o complexo materno: apaixonou-se e manteve sua escolha, mesmo contra todas as expectativas. Esse foi seu primeiro gesto de amadurecimento. A mãe ficou horrorizada, pois conderava Elisabeth inadequada.


No entanto, o casamento aconteceu, e o povo a recebeu com entusiasmo. Com sua força feminina, Elisabeth uniu povos, aproximou culturas e deu uma nova vitalidade ao trono. Ela não se submetia, mas integrava.


Compartilho uma cena reveladora: um soldado italiano é morto ao tentar denunciar a opressão sofrida em sua terra. Elisabeth, movida pela compaixão, não aprovou a maneira que a corte conduzio a situação, considerando desumana. O imperador justificava que temia por ela, ela guiada por sua intuição, entendia que havia algo acontecendo. Após o ocorrido, em uma visita a Alemanha, decidiu ir visitar a familia do soldado. Francisco inicialmente não concordava e chegou a proibi-la, porém acabou por acompanhá-la. Naquele momento, ele pôde ouvir a dor da família do soldado e ver de perto o sofrimento de seu povo. Ao sair, ele disse a ela: “Obrigado. Sem você eu não teria visto”.


Essa fala sintetiza o que Elisabeth representou, não apenas ao reino em si... Fui mais longe na minha percepção, quando assisti a série senti que ela sutilmente o conduziu a lugares dentro dele que sozinho não teria acessado. Com auxilio dela, não apenas transformou o destino do império; transformou também o próprio imperador. Despertou nele a capacidade de ver, sentir e compreender o humano para além do poder.


Mais do que esposa ou rainha, Elisabeth simbolizou a força do feminino como potência social e psíquica. O feminino que não se limita ao gênero, mas que traz a união, a sensibilidade, a transformação. Ele não fragiliza: humaniza. Ele não subjuga: desperta e quando reconhecido, tem o poder de transformar não apenas a vida de um homem, mas o destino de uma sociedade inteira.


O mais marcante é que não se trata apenas da influência de uma mulher sobre um homem, mas da presença do feminino como princípio arquetípico capaz de gerar coesão, vínculo e sentido. O feminino, quando reconhecido, não é fragilidade, mas potência social: integra, nutre, inspira e, muitas vezes, humaniza o poder. Elisabeth simboliza isso, ela não governava apenas por meio de protocolos, mas pela presença que despertava afeto e novas possibilidades de olhar para a vida coletiva.





 
 
 

Comentários


WhatsApp - Psicóloga Graciele Welter
  • E-mail Graciele Welter
  • Facebook - Graciele Welter
  • Instagram Graciele Welter
  • LinkedIn Graciele Welter
bottom of page