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Reconstruindo Vínculos: Meu Olhar no Atendimento de Casal

Atualizado: 18 de ago. de 2025



psicoterapia casal
"Eu acredito que a terapia de casal só faz sentido quando existe o desejo genuíno de ambos de cuidar da relação"

Ao longo da minha experiência clínica, percebo que muitos casais chegam até meu consultório em momentos de extrema fragilidade. Crises profundas costumam criar uma espécie de “neblina emocional” que impede que um enxergue o outro com clareza. Os gestos já não são percebidos, as palavras soam atravessadas, e até o silêncio passa a carregar acusações implícitas.

Acredito que a terapia de casal só faz sentido quando existe o desejo genuíno de ambos de cuidar da relação. Isso não significa ter todas as respostas ou sentir-se seguro sobre o futuro, mas sim ter disposição para olhar para si e para o outro com honestidade. Sem essa base de comprometimento mútuo, qualquer tentativa de reconstrução tende a se tornar superficial.


Comunicação: a espinha dorsal do vínculo


Um dos pilares do meu trabalho no atendimento de casal é a comunicação. Não apenas a troca de palavras, mas o encontro verdadeiro entre duas subjetividades. Martin Buber, em 'Eu e Tu", descreve que a qualidade de uma relação depende da presença real no diálogo, onde o outro é reconhecido como sujeito e não como objeto de projeções ou expectativas. Esse olhar é essencial para que o casal possa sair do jogo de acusações e entrar em um terreno de escuta mútua.


Na prática clínica, trabalho para que cada parceiro possa expressar suas necessidades e sentimentos sem que isso se torne um ataque. Criar esse ambiente exige cuidado, técnica e uma escuta refinada, mas principalmente exige que ambos estejam abertos para se deixar afetar pelo que o outro diz.



O inconsciente também fala na relação

relacionamento crise
"Acredito que um relacionamento saudável exige mais do que amor: ele requer alinhamento de valores, objetivos e, principalmente, compromisso com o crescimento pessoal e emocional"

A psicologia junguiana nos lembra que carregamos conteúdos inconscientes que influenciam fortemente nossos relacionamentos. Muitas vezes, as expectativas, medos e reações automáticas que um parceiro desperta no outro têm raízes muito anteriores ao próprio relacionamento, por vezes ligadas à história familiar, a experiências precoces de afeto e até a padrões transgeracionais.

Autores como John A. Sanford (Parceiros Invisíveis) e Robert A. Johnson (We: A chave da Psicologia do Amor Romântico) exploram como esses padrões ocultos moldam a maneira como amamos, escolhemos e permanecemos em relações. Ao trazer esses conteúdos à luz, o casal pode compreender que certas reações não são apenas “defeitos” do outro, mas também partes de uma história emocional mais ampla que ambos precisam aprender a acolher e ressignificar.



Alinhamento de projeto de vida e crescimento emocional

Acredito que um relacionamento saudável exige mais do que amor: ele requer alinhamento de valores, objetivos e, principalmente, compromisso com o crescimento pessoal e emocional. Isso significa que o casal não apenas planeja uma vida em conjunto, mas também cultiva a maturidade para sustentar essa escolha.

Quando trabalho com casais, busco favorecer esse alinhamento. É nesse ponto que o diálogo entre Buber e a psicologia junguiana se encontra: a relação é vista como espaço de transformação mútua, onde cada um se responsabiliza por seu próprio desenvolvimento e, ao mesmo tempo, nutre o vínculo que constrói com o outro.



O que valorizo no processo terapêutico


No atendimento, valorizo comprometimento, pontualidade e respeito mútuo, não apenas como regras externas, mas como expressões concretas de cuidado com o processo. A terapia é um espaço protegido, mas exige coragem para expor vulnerabilidades e disposição para experimentar novas formas de se relacionar.

Também acredito na importância de intervenções que não fiquem apenas no plano da conversa, mas que provoquem pequenas mudanças práticas no cotidiano do casal, seja um novo ritual de convivência, um ajuste na forma de se comunicar ou um gesto concreto de reparação.



Conclusão

A terapia de casal, para mim, é um trabalho de lapidação. Não se trata de voltar a ser como antes da crise, mas de construir algo mais consciente e autêntico. É um convite para que dois indivíduos escolham, dia após dia, estar presentes um para o outro, não como idealizações, mas como seres reais, complexos e em constante transformação.



Graciele Maria Welter, Psicóloga desde 2010, atualmente trabalha com atendimento clínico voltado à adultos e casais.



BUBBER, Martin. Eu e Tu. traduzido por Von Zuben. 2ª edição, São Paulo, Moraes, 1977.


JOHNSON, Robert A., 1921. WE: a chave da psicologia do amor romântico. Trad de Maria Helena Oliveira Tricca. São Paulo, Ed Mercuryo, 1987.


SANFORD, John A. Parceiros invisíveis: o masculino e o feminino dentro de cada um de nós.

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